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GT 02/ CIDADES INSURGENTES: MODOS DE HABITAR, NARRAR E DISPUTAR O URBANO

Coordenação: Ulisses Neves Rafael (GRECCOS/PPGA/UFS) e Mesalas Ferreira Santos (DCS/UFS) 

>>>> Sessão 1, terça-feira, 02/12 (9h às 12h – Sala 202) <<<<

>>>> Sessão 2, quarta-feira, 03/12 (9h às 12h – Sala 202) <<<<

SESSÃO I - PAISAGENS SENSÍVEIS E MODOS DE PERCEBER O URBANO.

Coordenação: Drº Ulisses Neves Rafael – DCS/UFS e Drº Mesalas Ferreira Santos DCS/UFS.

Debatedora: Isla Maria Vital Gristelli. PPGA/UFS.

 

Enquanto tiver água correndo, pescador não tem como acabar: um olhar sobre as formas de (re)existir na Comunidade da Prainha.

Autoria: Igor Tadeu Dias dos Santos - Mestrando em Antropologia pelo PPGA/UFS. E-mail: igrtadeu.dias@gmail.com

 

Resumo: A comunidade da Prainha é uma comunidade localizada no Bairro Industrial, na Zona Norte da cidade de Aracaju, ao qual é banhada por um importante leito hídrico, o Rio Sergipe, e situada na Avenida General Calazans, especificamente atrás da empresa de ônibus Viação Modelo. A Comunidade tendo sua história atravessada na resistência às tentativas de retirada da população local do espaço ocupado, diante dos processos de desenvolvimento urbanístico de Aracaju, que foi marcado na região, em que a comunidade está localizada, pelo processo de revitalização na área, no início dos anos 2000. Assim, o presente trabalho, fruto do projeto de pesquisa no mestrado, tem como objetivo expor reflexões iniciais na compreensão da maneira como os habitantes deste enclave percebem os impactos das dinâmicas urbanas em suas residências e como isso afeta diretamente as suas dinâmicas internas e condições socioeconômicas. Bem como entender, mediante aos processos que atravessaram a Comunidade, a sua história de formação e constituição enquanto uma comunidade, isto é, a criação de um senso de comunidade ao longo dos anos, que favorece os processos de articulação por parte dos seus moradores, pelo direito à permanência ali e na relação com a região que os rodeiam.

Palavras-Chaves: Comunidade; Identidade; Resistência.

 

 “O rio é a minha vida”: uma leitura fenomenológica das vivências no entorno do rio Poxim.

Autoria: Ana Caroline da Paz Santos. Mestranda PPGA/UFS. E-mail: anaacaralinepazzzz@gmail.com

 

Resumo: Este trabalho propõe uma análise fenomenológica da paisagem a partir da percepção e da relação dos moradores com o Rio Poxim, em Aracaju/SE. Considerando a paisagem não apenas como um pano de fundo físico, mas como um emaranhado de experiências vividas, busquei compreender como os habitantes se relacionam sensorial e afetivamente com o rio e seu entorno. A partir de entrevistas e observações identifiquei que o Rio Poxim é percebido ora como um espaço de vida, memória e cuidado, ora como um lugar marcado pela degradação e abandono. Apoiada nas teorias fenomenológicas de Husserl, Merleau-Ponty e Heidegger, e nos escritos de Tim Ingold, analiso como os moradores habitam o espaço de forma situada, intencional e sensível. A pesquisa evidencia que a paisagem é continuamente constituída nas interações entre sujeitos, coisas e significados, revelando sua dimensão viva e relacional.

Palavras-chave: Fenomenologia. Paisagem. Rio Poxim. Percepção. Antropologia.

 

 

Cartografia social na malha fluvial da grande Aracaju/SE: um mergulho nas águas do Rio do Sal.

Autoria: Antonio Lucas Andrade Mendes. Graduação Licenciatura Geografia UFS. E-mail: lucxsmendes@gmail.com

 

Resumo: Este trabalho propõe uma análise antropológica das dinâmicas sociais e simbólicas das populações ribeirinhas de Aracaju e de sua região metropolitana, com foco nas comunidades que habitam as margens do Rio do Sal. Historicamente invisibilizadas pelas políticas públicas e pelas narrativas urbanas, essas populações constroem modos de existência profundamente vinculados às águas, ao território e às práticas culturais que estruturam a vida local. A escolha de Aracaju como capital do estado, motivada pelas condições logísticas do rio Sergipe, não pode ser dissociada da presença e atuação das comunidades que, ao longo do tempo, sustentaram e moldaram a formação social e econômica da cidade. A pesquisa compreende o rio não apenas como recurso natural, mas como espaço de vida, memória e resistência — um agente relacional que participa da construção de territorialidades próprias e da produção de identidades coletivas. A partir de um diálogo interdisciplinar que articula reflexões sobre cidadania planetária com dimensões literárias e sociais ligadas à experiência das margens, busca-se evidenciar como essas vivências refletem dinâmicas mais amplas de exclusão e desigualdade urbana. Por meio da elaboração de uma cartografia social, o estudo mapeia trajetórias, redes de solidariedade, conflitos e estratégias de sobrevivência, ressaltando o papel ativo dessas comunidades na construção da cidade. Defende-se, assim, a necessidade de reconhecer o valor epistemológico e político dos saberes ribeirinhos na formulação de políticas públicas mais justas, integradoras e sensíveis às realidades locais.

Palavras-chave: Territorialidade, populações ribeirinhas, identidade coletiva.

 

 

“O maravilhoso mundo que é uma cidade universitária”: a chegada da Universidade Federal de Sergipe em Laranjeiras.

Tatiana Silva Sales. Doutoranda em Sociologia - PPGS/UFS. E-mail: tatianasssales@gmail.com

 

Resumo: Laranjeiras (SE), localizada na região do baixo Cotinguiba, é uma cidade histórica com área central tombada em 1995 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em razão do valor arquitetônico e histórico de seu conjunto edificado, urbanístico e paisagístico. Para além do patrimônio edificado, a cidade ainda é rica em manifestações culturais imateriais, cujas formas de expressão se atualizam a cada ano, em seus rituais e festas próprios. O campus de Laranjeiras, conhecido institucionalmente como “Campuslar”, foi instalado em 2009 num conjunto arquitetônico restaurado pelo Programa Monumenta conhecido como “Quarteirão dos Trapiches”. Porém, o fato de a cidade agora ter as instalações físicas para o funcionamento de uma universidade, por si só, a torna uma “cidade universitária”? Apesar da atuação da UFS na cidade preceder em muito o Campuslar, a oferta de cursos regulares de nível superior só foi iniciada sistematicamente em 2007, em meio a um cenário de precária oferta de serviços urbanos. Sem uma malha de transporte urbano intermunicipal desenvolvida sem um restaurante universitário e operando em um prédio com espaços inadequados para as atividades acadêmicas dos cursos ofertados, as dificuldades se avolumaram. Além disso, diversos relatos sobre ocorrências de episódios de violência, como assaltos, sequestro e mesmo ameaças de morte a estudantes da UFS foram noticiados por veículos de comunicação, de circulação local e nacional nos primeiros anos de funcionamento do campus (Infonet, 2007; G1 Sergipe, 2014; Manso, 2014; Fórum, 2014). A pesquisa em andamento objetiva investigar as relações existentes entre cidade e universidade por meio das interações e sociabilidades que decorrem e se desenrolam nas práticas e vivências cotidianas, e nos diferentes usos dos espaços urbanos e dos patrimônios que interrelacionam a comunidade universitária e a comunidade residente.

Palavras-chave: Laranjeiras; campus; universidade.

 

 

 Educação e Inserção Laboral: uma reflexão sobre estratégias de sobrevivência no mundo do trabalho entre trabalhadores de postos de combustíveis em Aracaju/SE.

Gabriel Jesus do Nascimento. Mestrando em Sociologia PPGS/UFS. E-mail: gabrieljdonascimentoo@gmail.com

 

Resumo: O presente trabalho é um aprofundamento reflexivo de um debate iniciado no âmbito de um capítulo de minha monografia de conclusão de curso. O objetivo deste era analisar os percursos ocupacionais de trabalhadores e trabalhadoras de postos de combustíveis e entender as mediações que lhes conduziram a tal destino laboral, partindo de sua origem social como fio condutor de seus percursos. Para além das constatações que afiançavam as expectativas comuns de suas origens sociais, como a escolaridade dos pais, tipo de trabalho que ocupavam, nós descobrimos um dado muito importante e que refletia as preocupações com as quais nos ocupávamos naquele momento: contrariando as expectativas e os debates acadêmicos sobre estes trabalhadores, eles possuíam boas impressões a propósito de sua ocupação e chegaram lá não por um acaso, mas por meio da mobilização de suas redes de relações, portanto, por meio de uma estratégia de ingresso laboral. No desenvolvimento ulterior deste debate, o que ficou claro foi: o motivo para estas boas representações orbitavam em torno de ligeiras melhoras nas condições de trabalho, especialmente um adicional de 30% sobre o salário-base destes trabalhadores; trocando em miúdos, portanto, a força que conduz esta fração da classe trabalhadora a este destino ocupacional é a dimensão da precariedade do mundo do trabalho contemporâneo. As referidas redes, neste sentido, possuem um sentido heurístico de uma estratégia de sobrevivência, um modo de se apropriar de pequenas melhoras nas condições de vida frente ao dimensionamento da precariedade atual; paradoxalmente, levando em conta o problema da periculosidade, estes trabalhadores não ocupam este emprego apesar dos riscos, mas por causa dos riscos! Assim, mobilizamos esforços teóricos para entendermos este problema à luz dos debates sociológicos, entendendo a relação entre educação, ingresso laboral e estratégias de sobrevivência, lançando mão do diálogo crítico com nossos dados empíricos do maior interesse.

Palavras-Chave: Trabalhadoras de postos de combustíveis; Percursos ocupacionais; Estratégias de sobrevivência.

 

SESSÃO II - INSURGÊNCIAS URBANAS: CORPOS QUE TENSIONAM O ESPAÇO.

Coordenadores: Drº Ulisses Neves Rafael – DCS/UFS e Drº Mesalas Ferreira Santos DCS/UFS.

Debatedora: Ana Caroline da Paz Santos PPGA/UFS e Igor Tadeu Dias dos Santos PPGA/UFS

 A arte do Graffiti: um retorno aos muros, às ruas e às suas sobrevivências impensadas.

Isla Maria Vital Gristelli. Mestranda em Antropologia PPGA/UFS. E-mail: islamvgristelli@gmail.com

 

Resumo: Esse projeto busca articular um olhar que entrelaça memória, fotografia, arte urbana e processos históricos, investigando-se como a imagem do povoado da Atalaia Nova vem sendo reconstruída pelo graffiti do artista D.L. A partir dessa consideração, podemos afirmar que essa produção imagética se trata de uma reconstrução identitária do povoado que, no entanto, não se limita apenas a representação de indivíduos específicos ou à recuperação de memórias familiares. Ela atua como um gesto político e estético que reinscreve no espaço urbano a presença e a importância de sujeitos historicamente invisibilizados nas narrativas institucionais. O gesto de D.L., ao se inspirar nas memórias do avô, nos hábitos cotidianos dos morados e até em imagens precárias como a de uma identidade, propõe uma fabulação que tensiona o apagamento promovido pelas fotografias institucionais, marcadas muitas vezes por uma lógica de exotização ou de homogeneização do lugar. Nesse sentido, os murais de D.L. não possuem apenas uma função estética: eles instauram um novo regime de visibilidade e pertencimento. São fragmentos de memória que ganham corpo, cor e escala, tornando-se documentos sensíveis de uma história, muitas vezes oral, que não possuem espaço no arquivo oficial. Trata-se, portanto, de uma contra narrativa visual que, ao se afirmar nas paredes do povoado, subverte a lógica vertical e de representação e reinscreve a história a partir de um ponto de vista interno e coletivo.

Palavras-chave: Antropologia urbana; graffiti, identidade.

 

“Cidade do Lixo”: vida, trabalho e toxicidade no maior cemitério de resíduos eletrônicos do mundo.

Doutorando João Mouzart de Oliveira Junior UFS/USP. Email: joaomouzart@gmail.com

 

Resumo: Entrar em Agbogbloshie, em Acra, é adentrar um território onde resíduos eletrônicos, fumaça tóxica e trabalho humano compõem um ecossistema contínuo. O chão, compacto por camadas de sucata, é percorrido por jovens que queimam cabos para extrair cobres, inalando partículas tóxicas liberadas pela combustão. Entre carcaças de computadores, placas metálicas e poças de água contaminada, trabalhadores desmontam aparelhos com ferramentas improvisadas e negociam materiais em circuitos econômicos informais. Essa paisagem revela a sobreposição entre degradação ambiental, precarização laboral e desigualdades raciais. Diante desse cenário, esta pesquisa analisa como Agbogbloshie, considerado o maior cemitério de resíduos eletrônicos do mundo, explicita a conexão entre consumo global, fluxos transnacionais de descarte e ecossistemas raciais que moldam desigualdades socioambientais no Sul Global. Pretende-se compreender como países do Norte Global transferem seus resíduos para territórios ocupados majoritariamente por populações negras, criando zonas permanentes de risco e vulnerabilidade. A metodologia combina etnografia com trabalhadores informais da reciclagem, observação direta, descrição densa das práticas de coleta e desmontagem de sucata, entrevistas semiestruturadas e análise documental sobre políticas internacionais de resíduos eletrônicos. Esse conjunto permitiu identificar como os trabalhadores constroem formas de sobrevivência, redes de apoio e estratégias de adaptação diante da toxicidade contínua. Os resultados indicam que Agbogbloshie funciona como expressão material da colonialidade dos resíduos, onde a modernização tecnológica global se ancora em paisagens racializadas de descarte. Além disso, evidencia que o debate ambiental contemporâneo, especialmente no contexto da COP30, deve enfrentar a circulação desigual de lixo eletrônico, a lógica da obsolescência acelerada e a corresponsabilidade dos países exportadores. Por fim, Agbogbloshie aponta que enfrentar a crise climática requer integrar justiça ambiental, governança global dos resíduos e políticas antirracistas.

Palavras-chave: Ecossistemas raciais. Cemitério eletrônico. Toxicidade.

 

Diário de uma favelada: a sociologia urbana de Carolina Maria de Jesus.

Maria Clara Souza Santos. Graduanda Ciências Sociais UFS .E-mail: bispomia88@gmail.com

 

Resumo: Este trabalho busca compreender a contribuição da escritora Carolina Maria de Jesus para os estudos sobre a periferia e espaço urbano na realidade brasileira, utilizando-se das teorias provindas da Escola de Chicago que se aprofundam na relação espaço-indivíduo junto ao livro Quarto de Despejo, publicado em 1960. O objetivo desse artigo é, no entanto, entender como os escritos de Carolina Maria de Jesus são um ganho intelectual para os estudos urbanos brasileiros usando a metodologia de uma análise comparativa da obra Quarto de Despejo com obras clássicas de autores da Escola de Chicago inspirados na concepção simmeliana do espaço. O diário de Carolina, escrito a partir dos relatos do seu cotidiano na favela do Canindé, é um trabalho que exprime a visão do sujeito que está inserido em um espaço de abandono e desprezo para o Estado, retratando uma realidade repleta de fome, miséria e violência. A forma como a autora retrata a favela e os favelados mostra não só o abismo social que o modo de vida capitalista promove ao espaço urbano, mas também retrata a formação do sujeito que vive em sua carne os resultados de um sistema social complexo que promove a desigualdade. O trabalho proposto mostrará por meio de uma análise comparativa da obra principal da vida de Carolina com obras clássicas da sociologia urbana como os escritos da autora podem ser contribuintes para entender a formação do espaço periférico no Brasil dentro da área de sociologia urbana.

 Palavras-Chave: Espaço urbano; Sociologia urbana; Periferia; Carolina Maria de Jesus.

 

 

Cidade de Todos?”: Racialização, Branquitude e Disputas Simbólicas na Construção da Imagem de Aracaju.

Leticia Barreto Santos. Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). E-mail: leticiabsantos1204@gmail.com

 

Resumo: O projeto em desenvolvimento investiga as articulações entre a multidimensionalidade do racismo e as estratégias de produção e gestão da imagem oficial de Aracaju-SE, no período de 2001 a 2025. Parte-se do entendimento de que a formação urbana brasileira é atravessada por processos históricos de racialização que naturalizam desigualdades e tornam a presença negra social e espacialmente invisível. A partir também de uma perspectiva antropológica, busca-se compreender como a branquitude, os dispositivos de racialidade e os pactos que estruturam o “contrato racial” orientam a elaboração de narrativas institucionais sobre a cidade.Ao analisar slogans como “cidade de todos”, “capital da qualidade de vida” e “cidade humana, inteligente e criativa”, a pesquisa pretende discutir de que modo tais enunciados operam como tecnologias simbólicas que produzem silenciamentos e organizam hierarquias raciais. Interessa, portanto, compreender como esses discursos institucionais atuam na construção de sentidos sobre pertencimento, legitimidade e reconhecimento no espaço urbano.O estudo, ainda em curso, incorpora um recorte empírico no bairro Atalaia, permitindo tensionar a distância entre a Aracaju promovida oficialmente e a Aracaju vivida cotidianamente. Em uma área específica desse bairro, tem sido possível observar como determinadas territorialidades são integradas ao imaginário oficial da cidade, enquanto outras são ocultadas, estigmatizadas ou interpretadas a partir de códigos racializados. De natureza qualitativa, a pesquisa, ainda em desenvolvimento, articula levantamento bibliográfico, análise documental e a etnografia para discutir as relações entre racismo, desigualdades socioespaciais e produção imagética da cidade. Ao acompanhar as disputas simbólicas que atravessam a construção da “imagem oficial”, o projeto busca compreender como processos de visibilização e invisibilização racial moldam as formas de experimentar, perceber e significar a cidade.

Palavras-Chave: Mecanismos raciais de controle; Imagens da cidade; Aracaju-SE.

 

 

Racismo, lógicas de produção e gestão das cidades contemporâneas: reflexões sobre (in)visibilidades raciais e a construção da imagem oficial de Aracaju-SE.

Edson Lima Araujo. Graduando em Ciências Sociais - UFS. E-mail: edinholimaaraujo2004@gmail.com

 

O projeto tem como objetivo investigar as possíveis relações entre a multidimensionalidade do racismo e os processos de produção e gestão da imagem oficial da cidade de Aracaju-SE, considerando as principais representações oficialmente enunciadas ao longo de duas décadas do século XXI. Como se entende que a formação dos espaços urbanos brasileiros foi moldada por processos históricos de desigualdades e segregação da população negra, tornando a mesma “invisível” socialmente; portanto, por meio de uma análise antropológica pretende-se pesquisar em como a (in)visibilidade racial afeta diretamente as políticas urbanas, as lógicas de produção e a gestão das cidades contemporâneas. Examinando os slogans propagandísticos como “cidade de todos”, “capital da qualidade de vida” e “cidade humana, inteligente e criativa”, a pesquisa irá analisar como essas representações simbólicas são usadas como instrumentos de perpetuação do ideário da branquitude e estigmatização de grupos racializados no Brasil na urbanidade. O estudo focará, por meio de um extenso trabalho de campo, em um recorte empírico no bairro Atalaia, podendo problematizar a distância entre a capital (Aracaju) promovida oficialmente e a realidade vivida entre os seus habitantes. Nesse bairro possui uma área específica que é possível observar como certas territorialidades são incorporadas ao imaginário da cidade enquanto outras são invisibilizadas, silenciados ou estigmatizadas a partir de percepções racializadas. A pesquisa, de cunho qualitativa, engloba levantamento bibliográfico e análise documental que discutem as relações entre o racismo, as desigualdades socioespaciais e a produção imagética e midiática da cidade. Ao demostrar as disputas simbólicas que passam pela construção da “cidade oficial”, o projeto contribui não só para a compreensão de como projetos de visibilização e invisibilização racial modificam formas de experimentar e vivenciar a cidade, como também abrir ainda mais espaços para estudos da questão racial nos espaços urbanos nas ciências sociais no Brasil, principalmente nos subcampos que estudam a urbanidade.

Palavras-Chave: Racismo; Branquitude; imagem da cidade.

8ª Semana de Antropologia da Universidade Federal de Sergipe

Cidade Univ. Prof. José Aloísio de Campos Av. Marcelo Deda Chagas, s/n, Bairro Rosa Elze São Cristóvão/SE CEP 49107-230

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