
GT 03/ JUVENTUDES E RELAÇÕES DE PODER
Coordenação: Frank Nilton Marcon (GERTs/PPGA/UFS) e Mateus Antonio de Almeida Neto (SEDUC-SE/SEMED-AJU)
>>>> Sessão 1, terça-feira, 02/12 (9h às 12h – Sala 203) <<<<
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SESSÃO 1- Expressividades Culturais e Sociabilidades Digitais
ENTRE ALGORITMOS E CHATBOTS:
EXPERIÊNCIAS JUVENIS COM PLATAFORMAS DIGITAIS NO COTIDIANO SOCIAL
Gabriela Losekan (Doutoranda - PPGS/UFS)
losekangabriela.pesquisa@gmail.com
A literatura que discute o processo de plataformização da vida social de uma perspectiva microssocial, isto é, centrada nos usos e apropriações que os usuários fazem das plataformas digitais no seu cotidiano, tensiona a relação entre poder e agência quando identifica formas de negociação, resistência e agenciamento mobilizadas pelos usuários diante dos mecanismos que constituem essas plataformas, em especial, os algoritmos (Bucher, 2016; González, 2023; Sued, 2022). Tal abordagem implica compreender essas tecnologias enquanto artefatos e práticas eminentemente culturais (Seaver, 2017), na medida em que as dinâmicas de interação entre usuários e plataformas derivam, simultaneamente, de atributos dependentes da tecnologia e de atributos vinculados aos modos de uso, ambos inseridos em contextos sócio-históricos específicos (Simões, 2010). Para o GT, proponho discutir os resultados parciais da minha pesquisa de doutorado que investiga como essa geração de jovens tem percebido, se acomodado e reagido às lógicas e pressupostos subjacentes das plataformas digitais no seu cotidiano, e a relação entre suas experiências e as dimensões do que se tem denominado como cidadania digital (Choi, 2016). A análise se apoia em entrevistas em profundidade realizadas com jovens aracajuanos(as), entre 18 e 25 anos, no ano de 2025, interpretadas por meio de categorias temáticas que evidenciam práticas e experiências digitais compartilhadas por esse grupo geracional, relacionadas aos diferentes usos e sentidos atribuídos às plataformas em esferas diversas como o trabalho, a educação, o lazer, as sociabilidades e a cidadania.
Palavras-chave: juventudes; plataformização; agência; cidadania digital.
JUVENTUDES E SUAS RELAÇÕES DENTRO DO ESPAÇO VIRTUAL: UM ESTUDO SOBRE AS LIVE STREAMS
Nicolas Delbone Campos (Graduando – DCS/UFS)
nicolasdelbone@academico.ufs.br
Nesta proposta, apresento os resultados parciais de um projeto inicial de pesquisa, sobre a forma com o qual os jovens se relacionam com espaços virtuais, utilizando plataformas de live streaming. O interesse pelo objeto de pesquisa e, consequentemente, na confecção do projeto, nasceram durante as matérias de métodos e técnicas de pesquisa em ciências sociais I e II, visando a contemplação das seguintes questões: como relações de sociabilidade são estabelecidas no âmbito de determinados espaços virtuais conhecidos como live streaming? Estas interações possuem continuidade fora desses espaços, e se sim, em quais lugares? Como se desenvolvem, caso isso aconteça, para além das live streams? O objetivo de pesquisa é compreender o papel das live streams para os jovens, enquanto meios utilizados para estabelecer relações significativas entre indivíduos, compreendendo as particularidades envolvidas nas dinâmicas que caracterizam aspectos das live streams, como a interface da Twitch.tv (plataforma analisada), a forma que funciona, a formação de comunidades e seus atores, e outras questões subjacentes às dinâmicas desta plataforma e seus usos. Até o momento, foram propostos enquanto metodologia, além da revisão teórica, a análise de um público delimitado, pela coleta de dados, para compreender as relações dos jovens usuários da plataforma que consomem as lives com diversos streamers e comunidades, através da aplicação de questionários on-line. Com os dados coletados até o momento de escrita deste resumo, é possível considerar hipóteses relacionadas à forma como os laços entre pessoas desconhecidas entre si são criados em plataformas como a Twitch.tv. Mediante o observado até o momento, é possível refletir sobre a relação entre streamer e comunidade, considerando questões como o self-branding, ou, em outras palavras, como o streamer se vende ao seu público (e como este responde a ela), a existência de laços longínquos oriundos, e sua continuidade em plataformas de comunicação, redes sociais, ou às vezes até traduzidas em encontros pessoais além dos espaços virtuais.
Palavras-chave: Juventudes, Live Streams, Sociabilidade
AS TELAS COMO PROTAGONISTAS DO LAZER JUVENIL NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
Andrea Santos Lima (Mestranda - PPGS/UFS).
A partir da minha pesquisa de mestrado sobre a temática do lazer entre as juventudes urbano-rurais de Canindé de São Francisco - SE e Poço Redondo - SE utilizando um plano metodológico qualitativo, que mescla observação direta e participante com entrevistas semiestruturadas com jovens e gestores responsáveis pelas pastas de juventudes dessa região, observo que há uma centralização da prática de lazer por meio de telas, seja no consumo de conteúdos audiovisuais ou no contato virtual por chamadas de vídeo para jogos online.Percebo que há uma diferenciação do aproveitamento do lazer de acordo com o gênero, seja por limitações como a ausência de garantia de segurança nas ruas e nos demais espaços públicos, ou por preferências “caseiras” das meninas, construídas socialmente, como aponta Simone de Beauvoir (1949) ao afirmar que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Assim, os indivídos do sexo masculino costumam ser incentivados desde a infância a ocuparem o tempo livre com jogos esportivos (futebol, vaquejada, etc), enquanto as jovens são direcionadas a cumprirem as atividades domésticas, além de relatarem a preferência por atividades consideradas menos agitadas e/ou mais femininas (cozinhar, ler, desenhar, entre outras). A vaquejada e a cavalgada, práticas comuns na região, são majoritariamente protagonizadas por homens, enquanto as meninas frequentam esses eventos mais pelas atrações musicais.Portanto, reconheço a pluralidade de formas de aproveitamento do lazer entre as juventudes do alto sertão, além de haver diversas dificuldades nesses processos, tanto as citadas por eles quanto as que observo, enquanto pesquisadora, como a falta de oportunidades de acesso a atividades variadas em suas localidades e as telas como a alternativa mais acessível. Ainda que haja diferentes modos de se apropriarem do tempo livre/lazer, as trocas e interações permanecem fundamentais para a construção de suas identidades, partindo da identificação e diferenciação relacional entre eles.
Palavras-Chave: Lazer; Identidade; Juventudes.
A JUVENTUDE COMO SUJEITO SOCIAL NO CARNAVAL PERNAMBUCANO (1845 – 1915)
Ebis Dias Santos Filho (Doutorado - PPGS/UFS)
Este trabalho representa uma pesquisa em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Segipe para a elaboração de uma tese de doutorado na linha de pesquisa intitulada “Minorias Sociais: Diferença, Desigualdade e Conflitos Sociais”. O projeto referido investiga como a juventude emergiu enquanto sujeito social no Carnaval pernambucano entre 1845, ano do primeiro baile de máscara no Recife, até o ano de 1915, quando o frevo, germinado na capital pernambucana, já estava estabelecido como música e dança dos festejos carnavalescos da cidade, marcados por diversas manifestações de diferentes classes, etnias, gêneros e juventudes.Partindo do pressuposto de que a juventude não constitui apenas um dado biológico, mas uma criação social, esta etapa da pesquisa já apresenta dados sobre como a partir do século XIX, o enfraquecimento da sociedade patriarcalista recifense possibilitou o surgimento da juventude como ator relevante em atividades políticas e culturais, especialmente no Carnaval, transformado esta festa popular em arena de civilidade onde os jovens se consolidaram como nicho de consumo, sinônimo da folia, protagonistas na imprensa carnavalesca e na criação de clubes carnavalescos, músicas e passos de dança que participaram do desenvolvimento do frevo.Se por um lado a nomeada “mocidade” , jovens da elite e da classe-média em Pernambuco, foram protagonistas no combate ao “incivilizado” Entrudo, e nos conflitos entre foliões, os chamados “moleques”, capoeiras mais novos de grupos de escravos e ex-escravos que rivalizavam entre si, defendendo suas bandas de música, foram protagonistas na criação dos passos de frevo que disfarçavam diante da polícia os golpes de luta. Assim, jovens de difentes classes, generos e etnias contribuiram para a construção da festa carnavalesca que subsituiria cada vez mais a entrudança e germinaria o frevo no Recife.
Palavras-chave: Carnaval, juventude, frevo
JOVENS MULHERES, A PRÁTICA DO SKATE E AS DISPUTAS PELO ESPAÇO PÚBLICO
Letícia Galvão (Doutoranda - PPGS/UFS)
Este trabalho busca propor algumas reflexões sobre como o skate pode se tornar um recurso de reivindicação do direito à cidade para jovens mulheres. Os métodos e técnicas utilizados para este fim foram uma etnografia multissituda (Marcus, 1995), por meio da observação direta de locais públicos na cidade de Aracaju (Brasil) e Barcelona (Espanha) que também funcionam como espaços de sociabilidade para skatistas. Observei os espaços das cidades, os percursos utilizados pelas skatistas, os seus movimentos, suas formas de uso do espaço e coligindo com as entrevistas que realizei, ao mesmo tempo em que também experimentei o skate com elas. A partir da discussão dos dados obtidos em campo junto à literatura sobre corpo, gênero e cidadania, foi possível concluir que, ao reivindicar a sua presença em espaços hegemonicamente masculinos, as skatistas utilizam o corpo e a ação coletiva como recursos para alcançar um direito que lhes foi sistematicamente negado pelas violências físicas e simbólicas estabelecidas diante do corpo feminino na cidade.
Palavras-chave: corpo; gênero; skate; direito à cidade.
JOVENS ARTISTAS-VAGALUMES: TRAJETÓRIAS E AGENCIAMENTOS ESTÉTICO-POLÍTICOS NA VIDA CULTURAL SERGIPANA
Layla Bomfim(Mestranda - PPGA/UFS)
Esta comunicação apresenta reflexões iniciais da minha pesquisa de mestrado, cujo foco é compreender as formas de relação com a imagem produzidas por jovens artistas que atuam em linguagens híbridas em Sergipe. Tenho denominado esses sujeitos de artistas-vagalumes, inspirada na metáfora de Didi-Huberman (2011), para quem os “povos-vagalumes”, nas margens, emitem lampejos que escapam à luz hegemônica, criando brechas e movimentos próprios.O campo tem demonstrado que essas trajetórias exigem um olhar multisituado, conforme o paradigma de Marcus (1995), no qual a etnografia passa da comparação à justaposição de situações conectadas e descontínuas. Simultaneamente, o trabalho se apoia em contribuições da antropologia multimodal (Álvarez; Athias; Rivera, 2023), entendendo essas produções como práticas que mobilizam visualidades, tecnologias, som, corpo e performance em arranjos que excedem categorias disciplinares clássicas.Sustento ainda que a centralidade dos jovens nessas práticas relaciona-se ao fato de serem “uma geração que domina os meios digitais que, desde muito cedo, foi socializada e escolarizada em meio a tais produtos tecnológicos e suas linguagens e perante formas de cognição em que a imagem, o grafismo, a forma, o som, a oralidade e o texto passaram a compor uma infinidade de sensações e de aprendizado” (Marcon, 2018). Assim, investigo como esses artistas acionam repertórios criativos para negociar desigualdades estruturais, produzir visibilidade e formular modos de existência que escapam às normatividades do campo artístico local. De forma específica, o objetivo desta comunicação é apresentar um panorama preliminar dessas trajetórias a partir da articulação entre levantamento bibliográfico de estudos acerca da vida artística sergipana e dados etnográficos coletados em campo, compondo um primeiro quadro social-antropológico dos jovens artistas-vagalumes.
Palavras-chave: juventudes; artistas híbridos; Sergipe.
SESSÃO 2 - Contextos Escolares e Institucionais: Percepções, Controle e Agências
JOGOS DE AZAR ONLINE NA VIDA DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE SERGIPE: RISCOS, IMPACTOS E DESAFIOS
Luciana Fonseca Mendonça (Mestre/SEDUC-SE)
lucianafonsecamendonca@gmail.com
O presente trabalho tem como proposta analisar a influência dos jogos de azar online na vida de adolescentes do Ensino Médio de escolas públicas da Rede Estadual de Ensino de Sergipe, em Aracaju. Busca-se compreender os riscos e impactos dessa prática, sobretudo em dimensões mentais, afetivas, sociais e econômicas que afetam o cotidiano juvenil. Com o avanço das tecnologias digitais, observa-se a ampliação do acesso a plataformas, aplicativos e sites de apostas digitais, o que tem provocado preocupações quanto ao aumento do envolvimento de jovens em práticas de jogatina online. A pesquisa, ainda em desenvolvimento, adota como percurso metodológico a revisão bibliográfica e documental, com base em estudos recentes da Antropologia, Psicologia e Educação, que tratam das transformações no comportamento juvenil frente às novas formas de entretenimento digital e seus efeitos. Pretende-se, em etapa posterior, realizar entrevistas exploratórias e grupos de discussão com estudantes, a fim de identificar percepções, motivações e consequências associadas à participação em apostas virtuais. O estudo visa contribuir para o debate contemporâneo sobre juventudes, consumo digital e vulnerabilidades sociais, destacando a importância de políticas públicas e estratégias educativas voltadas à prevenção dos riscos associados aos jogos de azar online entre adolescentes.
Palavras-chave: juventudes; jogos de azar online; vulnerabilidades sociais.
GOVERNAR E INVENTAR JUVENTUDES: EFEITOS DO PROGRAMA
PÉ-DE-MEIA NA PRODUÇÃO DE SUJEITOS ADOLESCENTES EM JURIPIRANGA-PB
Luiz Trajano de Abreu Júnior (Mestrando - PPGA/UFPB)
Este trabalho é um recorte da pesquisa de mestrado sobre juventudes e relações de poder a partir de uma etnografia sobre os efeitos do Programa Pé-de-Meia (PPM) na reconfiguração dos modos de vida de adolescentes beneficiários(as) em Juripiranga, interior da Paraíba. Assim, a investigação busca compreender como o PPM, ao promover incentivos financeiros à permanência escolar, produz novas formas de subjetivação, agência e reconhecimento social entre jovens atravessados por desigualdades de classe, raça e gênero. A partir de observação participante (Malinowski, 1978) inicial na escola ECIT Teonas da Cunha Cavalcanti, o estudo examina como as transferências de renda são apropriadas e ressignificadas nas práticas cotidianas, nas relações familiares e nas experiências escolares, revelando tensões entre dependência e autonomia, controle institucional e liberdade juvenil. Dialogando com a Antropologia da Juventude (Bucholtz, 2002) e Antropologia das Políticas Públicas (Shore e Wright, 2003) a pesquisa compreende o PPM como um dispositivo de governamentalidade (Foucault, 1975) que, ao mesmo tempo em que amplia possibilidades de mobilidade social, regula comportamentos e redefine o lugar dos(as) jovens nas hierarquias locais. Ao evidenciar como políticas públicas atravessam e modelam as formas de ser e tornar-se jovem, este trabalho contribui para o debate ao discutir as relações de poder, agência e resistência que configuram as juventudes no contexto das políticas sociais contemporâneas no Nordeste brasileiro.
Palavras-Chave: Relações de poder; Programa Pé-de-Meia; Governamentalidade.
PERCEPÇÕES JUVENIS SOBRE O NOVO ENSINO MÉDIO: EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS
Marcelle Gonçalves da Luz (Graduanda - DCS/UFS)
Proponho apresentar os resultados iniciais de uma proposta de projeto de pesquisa que venho realizando sobre a relação entre as atividades extracurriculares e o desenvolvimento acadêmico e pessoal de estudantes do terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Dom Luciano José Cabral Duarte, em Aracaju, particularmente no que diz respeito aquelas atividades que foram implementadas em decorrência da reforma do ensino médio. Esta pesquisa tem como objetivo principal compreender como a participação em atividades extracurriculares influencia o rendimento escolar e o acesso ao ensino superior no contexto de Sergipe. O referencial teórico baseia-se em uma análise do Novo Ensino Médio (NEM), destacando o seu viés liberal e as dificuldades práticas de implementação da flexibilização curricular, assim, este trabalho abrange a categoria de Protagonismo Estudantil presente na BNCC, pois sua aplicação prática muitas vezes é limitada por estruturas tradicionais de ensino e tende a ser alinhada a uma lógica de mercado, em vez de promover a participação democrática. o discurso do protagonismo juvenil é transformado em uma estratégia de responsabilização individual, que desconsidera as desigualdades estruturais que limitam as trajetórias dos estudantes. A metodologia adotada combina o mapeamento das atividades extracurriculares oferecidas e a aplicação de questionários aos alunos, bem como a realização de entrevistas com discentes, docentes e a equipe gestora para analisar a adesão e os impactos gerados no ambiente escolar e fora dele.
Palavras-chave: Juventude; Novo Ensino Médio; Protagonismo Juvenil.
JUVENTUDES, FORMAS DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E DE PROTESTO: UM OLHAR ANTROPOLÓGICO SOBRE OS ESTUDANTES DO INSTITUTO FEDERAL DE SERGIPE (IFS) - CAMPUS SÃO CRISTÓVÃO
Julliane Santos Campos (Graduanda - DCS/UFS)
jullianecampos@academico.ufs.br
Nos últimos anos, a política passou a ocupar um lugar central no cotidiano brasileiro, alcançando de maneira intensa as mídias sociais, os espaços educativos e os ambientes de convivência juvenil. A ampliação do acesso à informação, a polarização crescente e a visibilidade dos movimentos sociais fizeram com que os jovens se aproximassem de debates antes limitados a grupos especializados. Nesse contexto, o IFS se destaca como um cenário onde a participação política é especialmente marcante entre os estudantes, pois, instituição reúne jovens de diferentes realidades sociais, possibilitando assim, um ambiente para o desenvolvimento do pensamento crítico, do debate público e de variadas formas de organização, que se reconfiguram conforme as gerações se sucedem. Entretanto, essa relação possui dupla face: ao mesmo tempo em que a instituição incentiva espaços de diálogo e participação, também impõe limites formais e informais que podem restringir ações, discursos e reivindicações dos estudantes, moldando o alcance de sua atuação política. Assim, enquanto alguns jovens encontram oportunidades para exercer protagonismo, outros percebem suas práticas condicionadas por normas, dinâmicas de poder e estruturas institucionais que dificultam o engajamento pleno. Diante desse cenário, o estudo busca compreender como diferentes gerações de estudantes constroem suas formas de organização ao longo do tempo e de que maneira essas práticas impactam o envolvimento político no ambiente escolar.
Palavras-chaves: Participação política; Juventude; Engajamento Estudantil.
DIREITOS DOS MAIS E MENOS PROTEGIDOS: JUVENTUDES, CUIDADOS ALTERNATIVOS E AUTONOMIA
Raiane de Jesus Santos (Doutoranda - PPGS/UFS)
O título desta proposta inspira-se na obra Direitos dos mais e menos humanos, produzido pela antropóloga Claudia Fonseca, publicado em 1999, cujo objetivo foi discutir as condições atribuídas à adolescentes inseridos no contexto da Febem, no Rio Grande do Sul. Utilizo dessa referência para sugerir uma reflexão a respeito daqueles jovens que, socialmente, parecem ganhar maior ênfase em termos de proteção social. Se por um lado existem os que são “protegidos”, no sentido de não estarem inseridos em condições de risco e vulnerabilidades, existem aqueles que se encontram na situação oposta, com trajetórias de desproteção, seja no âmbito social, econômico ou familiar. Falar das práticas de acolhimento institucional nos leva para diversas esferas, pois este é um campo amplo e, em muitos momentos, se mostra contraditório. Quando as discussões em torno da proteção social alcançam o marcador etário – concentrando aqui o grupo legalmente lido como jovem, é bastante comum associar tal grupo a iniciativas de emancipação, sobretudo amparando esta discussão na categoria/conceito autonomia. Diversos estudiosos, especialmente no campo da sociologia da juventude, compreendem a juventude enquanto categoria socialmente construída, partindo do ideal de que esta não é uma categoria homogênea, portanto, possuindo diversas interfaces. Nesse interim, pensar o processo de autonomia é também levar em consideração as diferentes experiências e contextos em que as juventudes estão inseridas, em especial aqueles/as com trajetórias de institucionalização. À vista disso, a presente proposta tem como intuito refletir sobre práticas de (des)proteção social para jovens inseridos/as no âmbito do acolhimento, especialmente após o alcance da maioridade, momento o qual profissionais, agentes e unidades de acolhimento compreendem que este momento demarca o alcance da autonomia deste grupo. As reflexões partem da pesquisa de tese, ainda em desenvolvimento, mesclando reflexões teóricas e dados empíricos.
PALAVRAS-CHAVE: Juventudes, Proteção social, Autonomia.
Territorialidades do Samba e Economia Socioafetiva: Juventudes, Estilos de Vida e Sociabilidades em Aracaju/SE
Mateus Antonio de Almeida Neto (GERTs/SEDUC-SE)
O presente trabalho tem como objetivo analisar as dinâmicas culturais e sociais que configuram o samba como expressão estética, prática econômica e forma de territorialidade vivenciada por juventudes de distintas gerações, marcadamente autoidentificadas como periféricas e afrodescendentes da capital sergipana, Aracaju, Brasil. O trabalho de campo foi desenvolvido por meio de observação direta e participativa, realização de entrevistas e acompanhamento das redes sociais digitais de artistas locais. Os resultados apontam que existe, em Aracaju, uma territorialidade simbólica e política em que se expressam modos de existência e resistência negra na e pela cidade, denominada pelos praticantes de “área do samba”. Ao situar o samba como prática intergeracional de reconfiguração identitária e de produção de sentidos, a pesquisa contribui para compreender as formas contemporâneas de sociabilidade juvenil e as estratégias culturais de sobrevivência nas periferias urbanas. O estudo evidencia que o samba, mais do que um gênero musical, constitui um campo de sociabilidade, pertencimento e resistência, sustentado por laços afetivos e redes de cooperação que conectam músicos, produtores, casas de shows e públicos diversos. Tais relações configuram o que se denomina “economia socioafetiva”, um sistema simbólico e material estruturado em trocas, solidariedade e afetos, que ressignifica o trabalho artístico e o lazer como formas de autonomia e agência social.
Palavras-chave: samba; juventudes; economia socioafetiva.